Crianças veganas: a polêmica continua

Gosto de ler horóscopo, principalmente o perfil do Oscar Quiroga, no Instagram. Hoje ele sugeriu a todos continuar sonhando firme, mesmo tendo que conviver com o veneno da ansiedade, porque “nesse cenário de moralidade falida em que somos obrigados a existir” ainda é melhor sofrer de ansiedade do que se convencer que tudo o que acontece por aí é a normalidade. Mensagem bonita, considerando que “normalidade” é igual a “verdade”: depende do ponto de vista.

Para mim é normal ser vegana, mas para a grande maioria das pessoas a normalidade é consumir bichos mortos e produtos frutos da sua exploração (estou falando do leite e do ovo). Para essa massa de gente, não só isso é normal como é fundamental para a saúde, principalmente para crianças em fase de crescimento. Nesse caso específico, mais do que normal, é praticamente uma convenção moral de que os pais devem alimentar seus filhos com produtos de origem animal. Do contrário, as crianças não crescerão direito e você, mãe ou pai vegano, será visto como uma pessoa muito irresponsável e injusta, pois a criança não pode escolher o que quer comer. Dizem.

Sim, ok, não tenho filhos e não sou nutricionista, mas faz mais de 10 anos que entrevisto especialistas em nutrição e há consenso sobre isso: alimentação vegana balanceada é saudável para crianças. Consenso que dia após dia só ganha força. Hoje mesmo a Associação de Nutrição e Dietética, dos Estados Unidos, publicou um texto em que diz o seguinte: “padrões de alimentação vegetariana e vegana bem planejados podem ser saudáveis e apropriados para todas as fases do ciclo de vida, incluindo bebês e crianças pequenas.”

Ainda assim, tem gente (da área médica e de área nenhuma) contrária à alimentação vegetal para crianças, porque a “normalidade”, baseada talvez em estudos financiados pelas indústrias da carne e do leite, diz que os pequenos precisam comer bicho morto. Nesse caso, as crianças também não podem escolher se querem ou não beber leite e comer carnes e ovos, mas tudo bem.

Quando criança, me lembro que eu odiava tanto beber leite, que cheguei a vomitar uma vez, depois de ter sido obrigada a tomar um copo de leite com achocolatado antes de ir pra escola, onde a merenda consistia em pão branco com salsicha e… Leite com achocolatado, claro!

Também me recusava a beber leite de vaca tirado na hora, no sítio da família, mas era vista como uma criança chata por isso. Muito “justo”, realmente. Também me lembro do dia em que a Bela Gil publicou na sua rede social uma foto da lancheira da filha onde tinha só alimentos vegetais, incluindo uma batata-doce. Nossa, como esculacharam a Bela Gil por isso.

“Que horror! Uma batata-doce na lancheira da menina”, bradou a internet. Muito melhor um pacote de salgadinho cheio de corante, sódio e gordura trans, um refrigerante e um pacote de waffle recheado, não é mesmo? Aí sim podemos ficar tranquilos dentro da nossa normalidade feita de crianças com menos de 10 anos já sofrendo de obesidade, diabetes, colesterol e pressão alta porque se alimentam mal e não sabem distinguir uma berinjela de um mamão (se você ainda não viu o documentário Muito além do peso, clique aqui para assisti-lo inteiro).

Com tudo isso quero dizer que ninguém deveria condenar pais e mães veganas por escolherem esse tipo de alimentação para seus filhos. Sendo uma alimentação balanceada (inclusive aquela onívora, se os pais optarem por ela), não vejo porque fazer tanto escarcéu em cima de algo tão normal quanto comer vegetais.

 

Documentário Dieta de gladiadores (The game changers), no Netflix

Dieta de gladiadores, título ruim em português para The Game Changers, exibido no canal Netflix (assista o trailer), é um documentário sobre nutrição esportiva que todo mundo deveria assistir, inclusive quem leva uma vida sedentária.

O filme mostra as descobertas de James Wilks, treinador de elite de forças militares especiais e vencedor do The Ultimate Fighter, em relação aos benefícios da alimentação vegetal para a performance e a recuperação de atletas profissionais de todo tipo de esporte – do maratonista ao halterofilista.

Para isso, James viaja por alguns países para entrevistar atletas veganos, cientistas e ícones culturais, como Arnold Schwarzenegger, que expõem mitos em relação a proteína animal, força e masculinidade. Em outras palavras: o filme mostra como é um enorme papo furado essa história de que para ter força muscular e resistência física a pessoa precisa comer carnes e ovo.

Papo furado porque, de acordo com o que é dito no documentário, a alimentação 100% vegetal acelera a recuperação dos atletas ao mesmo tempo que melhora a saúde do coração e alimenta direitinho o cérebro. Comer apenas alimentos de origem vegetal, integrais e frescos, é mais ou menos como dar um tipo de combustível limpo para o corpo.

Acredita-se o contrário, de que esportistas e machos precisam de carne para ter força e parecerem homens de verdade, por causa do marketing pesado da indústria da carne, que não só vem há anos nos bombardeando com publicidade pesada como financiou uma quantidade enorme de estudos científicos que concluíram que o consumo de seus produtos (carnes, ovos e laticínios) promovem saúde.

Detalhe que não passa batido no documentário: a indústria do tabaco fez a mesma coisa no passado, até que foi proibida de romantizar o cigarro em propagandas atraentes e obrigada a colocar fotos sinceras do que pode acontecer com você caso decida ser fumante.

Para quem é vegano, o documentário traz informações já bem sabidas, como o impacto do consumo de proteína animal para o meio ambiente e para a saúde, mas é interessante do mesmo jeito porque reforça o nosso veganismo. Eu me senti feliz comigo mesma, ainda mais segura da minha escolha alimentar e muito menos sozinha, apesar de só conviver com onívoros.

Ficha técnica
Duração: 88 minutos
Diretor: Louie Psihoyos, vencedor do Oscar 2010 na categoria melhor longa-metragem com A Enseada (The Cove)
Onde assistir: Netflix

A escolha do feijão

Vegano ou não, muita gente ainda acredita que comida vegana é algo muito especial, caro e mirabolante. Não é, principalmente se a sua intenção depois da adoção do veganismo é comer comida de verdade, que alimenta, nutre e previne doenças.

Se você é como eu e segue a linha “minha comida é meu remédio”, um dos itens que não pode faltar na sua vida é o feijão, ou melhor, as leguminosas em geral. Na alimentação vegetal, esse tipo de alimento é a principal e mais acessível fonte de proteína e tem muitas vantagens em relação à carne, como, por exemplo, o fato de ter fibras, antioxidantes e outros minerais que a carne não tem.

E o que não falta no Brasil é feijão. Além do feijão carioca e do preto, você encontra com uma facilidade maior ou menor, dependendo da região, feijões como branco, fradinho (também conhecido como feijão de corda), azuki, vermelho, moyashi e jalo. Além de grão-de-bico, lentilha, soja em grão, tremoço, fava, ervilha e amendoim – sim, ele é uma leguminosa.

O sabor é outro ponto positivo dos feijões. Como são muitas as variedades, dá pra gente explorar bastante a criatividade na cozinha. Você pode fazer homus de feijão branco ou de fradinho, por exemplo, croquetes, refogados de leguminosas com vegetais, etc. As possibilidades são muitas do ponto de vista culinário, mas em todos os casos é bom deixar as leguminosas de molho na água umas 8h antes de cozinhar em água nova. Isso serve para deixar o grão mais digestivo e nutritivo.

Por falar em nutrição, nesse ponto as leguminosas têm suas diferenças. Por exemplo, o feijão branco é o mais rico em cálcio, o azuki tem mais ferro e é o mais digestivo junto com a lentilha. Já a soja preta traz muito mais antioxidantes do que a soja amarela, e o tremoço tem mais proteína do que o grão-de-bico.

É claro que na hora da escolha contam também o preço e a vontade de comer, mas é sempre bom saber o que um alimento pode fazer pela saúde.

ERVILHA
É rica em vitamina A e B1, que ajuda no sono. Por isso, nada melhor do que uma sopa de ervilha para ajudar a dormir. Pode ser consumida como brotos, tornando o alimento mais digestivo.

FAVA
Muito consumida na Itália, principalmente em Roma, onde o pessoal consome as favas até mesmo cruas, como aperitivo, essa leguminosa também pode ser usada no preparo de purê ou entrar em sopas e refogados encorpados. Do ponto de vista nutricional, ela se destaca pela presença de betacaroteno (percursor da vitamina A), vitaminas do complexo B, C e E. Além de proteína, fósforo, ferro e magnésio.

FEIJÃO AZUKI
Muito usado na culinária asiática, que usa o azuki até mesmo para fazer doces, esta variedade ajuda no controle da glicemia e da pressão arterial. O azuki também é conhecido por ter ação diurética e por auxiliar o intestino em casos de prisão de ventre. Aliás, por ser de fácil digestão, ele não costuma provocar gases. Germinado, pode ser usado para fazer tortas cruas ou para incrementar saladas. Combina bem com gengibre, mas se você quiser dar um toque mais sofisticado, aposte no galangal também conhecido como gengibre tailandês. Em vez de temperá-lo com sal, experimente o shoyo.

FEIJÃO BRANCO
Mais comum em alguns estados do Sul e do Sudeste, o feijão branco tem caldo ralo e casca fina, o que faz com que seja muito utilizado em saladas e ensopados. É indicado para diabéticos, porque contém faseolamina, uma substância que reduz a absorção dos açúcares proveniente dos carboidratos. Para temperar, sal e alecrim são suficientes, me disse o chef André Cantú, do restaurante Broto de Primavera, em São Paulo. “Para deixa-lo mais sofisticado, você pode usar o zimbro moído, com muito cuidado também porque é um tempero com sabor amadeirado e adocicado, e folhas de estragão, que entram no final do refogado.” Zimbro é um bago que tem a aparência de uma pimenta preta redonda, mas nasce no junípero, um pinheiro nativo do norte da Europa.

FEIJÃO CARIOCA
É a variedade mais consumida no Brasil, mas é no prato dos paulistanos e dos mineiros que o carioquinha aparece com mais frequência. Seu nome se deve às formas de onda presentes na sua casca e que lembram o calçadão da Praia de Copacabana. Apesar disso, seu consumo não tem destaque na capital fluminense. Para temperar aposte em pimenta-do-reino moída, orégano, sálvia e manjerona. O orégano entra no final, enquanto a sálvia e a manjerona devem ser usadas com moderação. Você também pode usar aipo em pó, mas com muito cuidado porque ele costuma amargar.

FEIJÃO FRADINHO
Também conhecido como feijão-de-corda, ele é muito comum no Nordeste e em Minas Gerais. Contém uma proteína chamada vicilina, que reduz as taxas de colesterol e pode, portanto, auxiliar na proteção contra doenças cardiovasculares. Seu grão produz pouco caldo e é mais utilizado em aperitivos. Ele também é usado para preparar a massa do acarajé. Coentro, cominho, orégano e gergelim tostado são temperos que combinam bem com ele.

FEIJÃO JALO
Com grãos grandes e amarelados, o feijão jalo é bastante consumido em Minas Gerais e entra no preparo de pratos tradicionais do Estado mineiro, como tutu e virado. Quando cozido, ele forma um caldo encorpado, de coloração marrom avermelhada.

FEIJÃO MOYASHI
Muito usado nos países asiáticos com fins medicinais. É de fácil digestão e também muito consumido na forma de broto, já que dessa maneira ele tem ação desintoxicante. Por ter sabor delicado, tempere só com sal.

FEIJÃO PRETO
Mais popular no Rio de Janeiro e no Sul do País, o feijão-preto é o ingrediente principal de todas feijoada vegetariana que se preze. Do ponto de vista nutricional, ele é rico em antocianina, um antioxidante que pode atuar reduzindo o risco de alguns tipos de câncer. Assim como o feijão carioca, o preto combina bem com pimenta-do-reino moída, orégano, sálvia e manjerona.

FEIJÃO VERMELHO
Popular na culinária francesa, ele é rico em antioxidantes e produz um caldo encorpado, por isso é muito utilizado em sopas.

GRÃO-DE-BICO
Fonte de proteína, fibras e ferro, o grão-de-bico tem sabor agradável e é bastante usado na culinária árabe, onde é a base para as receitas de falafel e homus. Já na culinária indiana, ele entra em pratos tradicionais como dahl e chana masala.

Além de ajudar no controle da glicemia e do colesterol, o consumo da leguminosa parece deixar a pessoa mais feliz, pois um aminoácido presente no grão age no cérebro liberando serotonina, conhecida como o neurotransmissor da felicidade.

A maneira mais simples para temperar é usar um bom curry que você já compra pronto. Ou então preparar a sua masala em casa, misturando pimenta-do-reino branco moída na hora, feno grego, noz moscada e semente de cominho tostado (basta tostar a semente em uma panela sem óleo). Você também pode cozinhá-lo em uma panela normal com molho de tomate, páprica picante e sal. No final, coloca um pouco de orégano, tomilho e sálvia bem picada.

LENTILHA
Rica principalmente nas vitaminas A, C e do complexo B (como tiamina e ácido fólico), a lentilha traz mais do que boa sorte no fim do ano, como diz a superstição. Suas fibras solúveis aumentam de três a quatro vezes quando em contato com a água e, com isso, após o consumo, a lentilha estimula o funcionamento do intestino. Por isso, ela também é associada à proteção do intestino, controle da glicemia e do colesterol. Na cozinha, tem a vantagem de ter cozimento rápido. “A lentilha é ótima porque é aquele feijão de última hora. Você não precisa se planejar muito: bastam 30 minutos de molho e já pode ir pra panela”, garantiu André. Para temperar, ele recomenda pimenta-do-reino branco e tomilho. Ou então, aposte em zatar e pimenta síria para dar uma pegada mais árabe.

SOJA
Existem três tipos de grãos de soja: amarelo, verde e preto – todas particularmente boas para mulheres na menopausa graças a substâncias que imitam o hormônio feminino estrogênio. A soja amarela, mais comum de todas, é rica em fibras. A verde, também conhecida como edamame e que tem sabor mais suave do que a amarela, rendendo um ótimo aperitivo, tem boas quantidades de cálcio. Já a preta, que não é cultivada no Brasil, é rica em antioxidantes. Se puder, opte pela soja orgânica.

TREMOÇO
Frequente como aperitivo nos países mediterrânicos e na América Latina, essa leguminosa é ótima para quem quer controlar o apetite porque, além de ser rica em proteína, ela sacia e tem poucas calorias. É também graças às fibras que ele tem papel ativo no controle do colesterol e na proteção da flora intestinal.

Trecho retirado e adaptado da reportagem “Os poderes do feijão”, por Samira Menezes, publicada na edição 129 da Revista dos Vegetarianos. Clique aqui para comprar. 

Casa, comida, roupa lavada e mulheres veganas

Estou sem panela de pressão, porque a tampa da minha quebrou. Por causa disso, em vez de 40 minutos, o cozimento do feijão dessa semana demorou 1h30. Enquanto cozinhava, fui lavando e picando verduras para não perder nada, nem verdura nem tempo. Depois de tudo pronto e da barriga alimentada, foi a hora de armazenar a comida nos respectivos recipientes, limpar fogão, panelas e pratos. Eu não tenho máquina de lavar louça. Nisso tudo, acho que fiquei na cozinha mais de 3 horas e, enquanto lavava a louça, vários pensamentos aleatórios começaram a passar pela minha cabeça:

– Olhaí o lado bom de trabalhar em casa.
– É até legal aquela música do Mahmood.
– Que maravilha não ter filhos.
– Nossa, já estamos na metade de fevereiro.
– 1+1. Não deve ser fácil pra uma mulher que tem filhos e trabalha fora, chegar em casa e cozinhar tudo isso, cuidar da casa e de todo o resto. 

Foi inevitável pensar nas milhares de mulheres que eu via nos ônibus, em São Paulo, quando voltava para casa depois do trabalho. Em São Paulo, onde, me lembro bem, um ônibus poderia levar uns 30 minutos para ir de um ponto para o ponto seguinte, porque a fila era longa demais, consequência do excesso de gente para entrar em ônibus já lotados.

Se eu passei 3 horas na cozinha, essas mulheres, que obviamente continuam lá, pegando ônibus para ir de um lado a outro da enorme cidade para trabalhar, facilmente podem passar mais de 3 horas dentro de transporte público. E mesmo depois de uma jornada estafante de trabalho, tenho quase certeza de que muitas delas chegam em casa e ainda precisam cuidar da limpeza da casa, da roupa suja, dos filhos e da comida. Sem falar naquela pressãozinha básica de estar sempre pronta para dar amor depilado.

Como é que alguém pode falar para essa mulher que ela precisa ser vegana, que ela precisa incluir na sua dieta arroz integral, quinoa, tahine, castanhas, frutas orgânicas…? É verdade que não precisa ser rico para ser vegetariano estrito, mas no mínimo você precisa de tempo para preparar sua comida. Comida saudável, vegana e pronta para consumo não pode ser considerada o item mais em conta no Brasil.

Daí fiquei pensando no perfis ativos de mulheres veganas que acompanho com prazer nas redes sociais. Com elas pego receitas, dicas de restaurantes, de produtos, alguns deles ditos funcionais, que, imagino, não funcionam para o bolso de uma mulher de baixa renda. Adoro essas mulheres e uma coisa que notei é que entre as mais ativas na redes sociais, a grande maioria não tem filhos. Aquelas poucas que têm, também costumam mostrar um companheiro que vira e mexe aparece em fotinhos fofas de família nas férias ou no aconchego do lar. Enquanto eu, do lado de cá, fico imaginando que esse companheiro colabore de um jeito ou de outro nas obrigações do dia a dia.

Não estou criticando nem uma nem outra. Adoro essas mulheres e amo crianças (longe de mim). O que eu queria era aproveitar o embalo da louça e lavar também a “roupa suja”. Muitas vezes me pergunto: uma coisa tão justa como o veganismo pode se tornar injusta se imposta como dever moral a, por exemplo, mulheres que precisam crescer filhos sozinhas enquanto fazem jornadas de trabalho massacrantes para bancar (também sozinhas) toda a família?

Eu acho que sim, que pode se tornar algo injusto. Por isso, critico e sempre vou criticar o vegano que fica policiando a ação do outro, seja ele vegetariano ou onívoro, ou que faz discursinho ameaçador, se achando moralmente superior aos outros. A gente não sabe a realidade do outro.

É claro que me deixa muito triste saber como os animais são explorados e abusados a cada segundo. É claro que eu gostaria que existissem mais veganos, assim como gostaria que as mulheres (com ou sem filhos, solteiras ou casadas, gays ou héteros) fossem mais respeitadas e apoiadas. Mas não posso fazer mais do que a minha parte em relação a isso, que basicamente se resume a escrever sobre veganismo e, como privilegiada pelas circunstâncias, cozinhar minha comida vegana que nem sempre é orgânica e funcional, mas funciona na minha realidade.

Sugestões para ceia de natal

Se você comemora o natal e ainda não sabe o que vai fazer para comer entre os dias 24 e 25, a Editora Alaúde me mandou algumas receitas tiradas de livros seus e que podem compor um almoço ou jantar completo, com direito a sobremesa.

Salada de quinoa, figos e maçã com balsâmico
Receita do livro Herbivoraz, de Julia Guedes 

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Ingredientes da salada

1 xícara de quinoa

3 xícaras de água

2 colheres (chá) de sal

1 pepino picado em cubos pequenos

1 cebola roxa cortada em fatias pequenas

Polpa de 1 romã

½ xícara de salsinha picada

½ xícara de cebolinha picada

Para o molho balsâmico

3 colheres (sopa) de azeite

2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico

1 dente de alho bem picado

1 colher (chá) de gengibre em pó

1 colher (chá) de melado de cana

Sal a gosto

Para servir

1 maço de rúcula

1 maçã verde sem sementes cortada em fatias finas

3 figos secos cortados ao meio

Preparo

Salada

  1. Em uma panela, coloque a quinoa, a água e o sal e leve ao fogo alto. Quando começar a ferver, reduza para fogo baixo e cozinhe por aproximadamente 20 minutos, ou até ficar macia. Transfira para uma tigela grande.
  2. Adicione o pepino, a cebola, a romã, a salsinha e a cebolinha e mexa para que todos os ingredientes fiquem bem incorporados na quinoa. Confira se está bom de sal e reserve até esfriar.

Molho

  1. Em uma tigela, misture todos os ingredientes até emulsionar e ficar homogêneo. Prove e tempere com mais sal, se necessário.

Para servir

  1. Rasgue as folhas de rúcula com a mão e distribua entre os pratos. Disponha colheradas da salada de quinoa e arrume a maçã e o figo por cima. Regue com o molho e sirva em seguida.

 

Massa ao pesto de couve-flor com tofu empanado
Receita do livro Os segredos veganos de Isa, de Isa Chandra Moskowitz 
Tempo total: 40 minutos
Tempo de preparo: 40 minutos
Rendimento: 4 porções.

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Ingredientes para o tofu

3/4 de xícara de farinha de rosca fina e seca (uso a de pão integral)

1/2 colher (chá) de tomilho seco (esfregue-o com os dedos)

1/2 colher (chá) de alecrim seco (esfregue-o com os dedos)

1/2 colher (chá) de manjericão seco

1 colher (chá) de alho em pó

3 colheres (sopa) de molho tamari ou de soja

400 g de tofu extra firme cortado em cubos de 1 cm azeite, para pincelar

Demais ingredientes

220 g de linguine (macarrão de quinoa fica ótimo nesta receita)

1 couve-flor média (de 700 g a 1 kg) cortada em pedaços de 1 cm

Ingredientes do pesto

2 dentes de alho

1/3 de xícara de pignoli ou castanha-de-caju

3 xícaras de manjericão fresco (só as folhas)

1/2 xícara de coentro fresco

3/4 de colher (chá) de sal mais um pouco, se for necessário

1/2 xícara de caldo de legumes

1/4 de xícara de levedura nutricional

1 colher (sopa) de suco de limão-siciliano

Pimenta-do-reino moída na hora

Prepare o pesto: 

  1. Leve o alho e o pignoli ao processador e bata em modo pulsar. Junte o manjericão, o coentro, o sal, o caldo, a levedura nutricional e o suco de limão e bata até formar um purê liso.
  2. Com uma espátula, raspe o copo do processador para aproveitar tudo. Junte água para afinar, se for necessário. Confira o sal e finalize com a pimenta-do-reino.
  3. Guarde em recipiente bem fechado na geladeira até a hora de usar.
  1. Leve ao fogo uma panela grande com água e sal para ferver. O linguine e a couve-flor serão cozidos nessa água.

Prepare o tofu:

  1. Pré-aqueça uma frigideira antiaderente grande, de preferência de ferro fundido, em fogo de médio para alto. Num prato grande, misture com as mãos a farinha de rosca, o tomilho, o alecrim, o manjericão e o alho.
  2. Despeje o molho tamari num outro prato.
  3. Transfira os cubos de tofu para o prato com o molho e misture para cobri-los. Depois, passe na farinha de rosca temperada, mexendo para que fiquem bem empanados (esteja com as mãos secas ao manipular o tofu na farinha de rosca, para evitar sujá-las demais). Passe os cubinhos já empanados para a borda e continue com os demais, até terminar.
  4. Cubra a frigideira com uma camada fina de azeite e transfira os cubos de tofu para ela. Se não couberem todos os cubinhos de uma vez, faça em duas levas. Regue os cubos de tofu com um pouco de azeite, deixe cozinhar por alguns minutos, depois vire-os, usando uma espátula fina de metal para não tirar o empanado. Cozinhe os cubos de tofu por cerca de 7 minutos no total, regando com mais azeite, se achar necessário, e virando de vez em quando até eles dourarem de todos os lados.

Prepare o restante da receita:

  1. Leve ao fogo uma panela grande com água e sal para ferver. O linguine e a couve-flor serão cozidos nessa água.
  2. Quando a água ferver, junte a massa. Depois de 4 minutos, adicione a couve-flor também. Cozinhe por mais 8 minutos, até a massa ficar al dente, e a couve-flor, macia. 2. Escorra tudo num escorredor grande, depois devolva à panela e misture o pesto. Sirva em tigelinhas, com o tofu empanado por cima.

Observações

  • Se você estiver com tempo e quiser deixar o prato com um sabor especial, em vez de cozinhar a couve-flor, asse-a: forre uma assadeira grande e baixa com papel-manteiga. Espalhe a couve- -flor na assadeira forrada e regue com azeite. Salpique 1/4 de colher (chá) de sal. Misture com as mãos para cobrir bem a couve-flor. Espalhe-a em camada única e asse por 10 minutos a 190 °C.
  • O empanado do tofu continua intacto se você seguir algumas regras simples. Pré-aqueça a frigideira antes de usar. O ideal é que o tofu faça barulho de fritura ao entrar em contato com a panela; caso contrário, há o risco de o empanado ficar mole e se soltar. Além disso, use uma espátula de metal bem fina, que passe fácil entre a frigideira e o empanado. Se usar de silicone, plástico ou de madeira, a massa vai descolar do tofu. E, por fim, a frigideira tem que ser antiaderente.

 

Berinjela recheada de nozes e missô com salada de rabanete
Receita do livro Quase Vegetariano, de Carla Melibeu 
Pré-preparo + cozimento: 50 minutos
Rendimento: 4 pessoas

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Ingredientes

4 berinjelas japonesas (370 g)

2 colheres (sopa) de azeite

½ xícara (60 g) de nozes bem picadas

½ xícara (85 g) de arroz basmati integral cozido

2 cebolinhas cortadas em fatias finas

1 dente de alho amassado

1 colher (sopa) de missô branco (shiro missô)

2 colheres (chá) de molho de soja

2 colheres (chá) de mirin (saquê culinário)

Salada de rabanete

Ingredientes

2 pepinos japoneses (260 g) cortados em fatias finas no sentido do comprimento

250 g de rabanetes sem os talos e cortados em fatias finas

2 cebolinhas cortadas em fatias finas

2 colheres (sopa) de vinagre de arroz

2 colheres (chá) de molho de soja

¼ de colher (chá) de óleo de gergelim

Preparo

  1. Pré-aqueça o forno a 180 °C. Forre uma assadeira rasa com papel-manteiga.
  2. Corte as berinjelas ao meio no sentido do comprimento. Com o auxílio de uma faquinha afiada, faça um talho, formando uma borda com 5 mm de espessura. Retire a polpa, formando uma barquinha com a casca. Pique a polpa grosseiramente. Coloque as barquinhas de berinjela na assadeira.
  3. Leve uma frigideira grande e antiaderente ao fogo alto. Esquente o azeite; sem parar de mexer, refogue a polpa picada de berinjela, as nozes, o arroz, a cebolinha e o alho por 5 minutos ou até a berinjela murchar. Acrescente o missô, o molho de soja e o mirin; sem parar de mexer, cozinhe por 30 segundos ou até a berinjela começar a ficar bem coberta com os temperos. Recheie as cascas de berinjela com essa mistura.
  4. Asse-as por 25 minutos ou até ficarem macias e douradas.
  5. Prepare a salada de rabanete.
  6. Sirva a berinjela recheada com a salada de rabanete. salada de rabanete Misture todos os ingredientes delicadamente em uma tigela média. dica Você pode rechear as berinjelas com antecedência; cubra-as e conserve na geladeira até a hora de usar. Asse-as pouco antes de servir.

 

Semifreddo de chocolate e nozes
Receita do livro 50 Doces veganos, de Katia Cardoso
Tempo de preparo 1 hora (+ o tempo de congelador)
Rendimento: 8 fatias

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Ingredientes para a massa

500 g de chocolate meio amargo vegano (sem lactose)

3 vidros de leite de coco (600 ml)

150 g de melado de cana

1 colher (sopa) de essência de baunilha

1 xícara de nozes, sem casca, grosseiramente picadas

3 colheres (sopa) de amido de milho

Para calda

1 colher (sopa) de óleo de coco

½ xícara de açúcar cristal

1 xícara de leite vegetal

4 colheres (sopa) de cacau em pó

½ colher (sopa) de essência de baunilha

Nozes a gosto para decorar

Preparo:

  1. Ponha o chocolate e 1 vidro de leite de coco numa tigela refratária. Leve ao micro-ondas, em potência média, por 2 minutos. Retire e misture bem até dissolver. Se for necessário, deixe por mais 30 segundos no micro-ondas.
  2. Junte o melado, a essência e as nozes. Misture bem. Reserve.
  3. Em uma panela, misture o leite de coco restante e o amido. Leve ao fogo baixo, mexendo até engrossar. Deixe esfriar e misture ao creme de chocolate, usando uma espátula e sem bater.
  4. Passe para uma fôrma de bolo inglês pequena, forrada com papel-alumínio (deixe sobrar papel fora da fôrma) e cubra com o papel excedente. Leve ao congelador até ficar bem firme.
  5. Para a calda, leve ao fogo todos os ingredientes, exceto a baunilha. Mexa bem até ferver e engrossar. Retire do fogo e adicione a baunilha, mexendo rapidamente. Deixe esfriar.
  6. Desenforme no prato de servir, retire o papel e regue com calda de chocolate. Polvilhe com mais nozes e sirva em seguida.

Arte e bichos, antidepressivo natural

Em tempos obscuros e sinistros, em que valores como amor, compaixão, cultura e respeito se tornaram para muitos sinônimo de fraqueza e idiotice, estou tentando me concentrar em coisas boas, como literatura, artes plásticas, todo tipo de bicho, comida gostosa e música. Assim, talvez, a esperança não decida escapar pela porta da frente.

Ontem descobri o trabalho do publicitário mineiro Rafael Mantesso, autor do livro Um cão chamado Jimmy (Intrínseca – 168 páginas – R$ 34,90), que me fez sorrir.  Rafael conta que com o fim de seu casamento, se viu num apartamento vazio, exceto pela presença de Jimmy Choo, um bull terrier branco também mineiro que adora bolinhas, ossos, fones de ouvido e um velho cobertor cinza. Naquele momento, conta o publicitário, ele percebeu que estava cercado de um amor incondicional e, para espantar a melancolia, transformiu o parceiro inseparável em modelo para fotos bem-humoradas, cheias de referências pop e clicadas com estilo despojado e inconfundível.

Fotos deliciosas a seguir.

 

 

 

“A comida precisa ser saudável pro nosso bolso”. Entrevista com Juliana Gomes, do blog Comida Saudável pra Todos

Fazendo jus à minha fome sem fim, a maioria dos perfis que sigo nas redes sociais tem comida vegana envolvida. Tem perfil de restaurante, de chefs, de cozinheiros dominicais e, claro, de muito blogueiro espalhado pelo mundo que promove as maravilhas possíveis da cozinha vegana. Entre esse mundaréu de hashtag e de fotos apetitosas, até hoje só vi uma única blogueira dar atenção a um detalhe importante da alimentação vegana: o preço total de um prato.

Autora do blog Comida Saudável pra Todos, a catarinense Juliana Gomes, 30 anos, mostra com posts bem divertidos e sensatos que comida saudável vegana não é necessariamente cara. Dá pra fazer muita coisa gostosa e nutritiva sem ter que deixar o salário todo no mercado.

“No blog só entram receitas que custam até R$ 10. E eu como basicamente as coisas que estão no blog. Quando como fora, ao menos uma vez por semana, aí gasto até uns R$ 25. Mais que isso já acho caríssimo”, me disse Juliana pelo Whatsapp, já que ela mora em Florianópolis e eu estou em Milão (viva a tecnologia!).

O preço da comida, porém, é só uma das preocupações da moça, que divide seu tempo entre o blog, a vida de repórter de gastronomia, o marido e dois gatos. Nessa entrevista, ela me disse coisas muito interessantes pra gente pensar a respeito. Vai lendo…

Samira: É caro ser vegano?

Juliana: Pensei por anos que era caríssimo. Via as musas veganas do Instagram comerem risoto de arroz negro com creme de castanha e achava que esse era o veganismo. Não é só isso. Não precisa de óleo de coco, ricota de macadâmia, levedura nutricional. Comida vegana saudável é baseada em cereais, sementes, grãos, legumes, verduras e frutas. Exatamente como já é a tradicional comida brasileira.

Dá pra fazer um creme de batata para rechear tortas apenas com o tubérculo, água e temperos, por exemplo. O feijão fradinho pode virar patê, salada, bolinho, hambúrguer, acarajé… E custa R$ 6/kg.

No blog, eu já fiz um menu completo, com entrada, prato principal e sobremesa com R$ 10. Mas é claro que essa alimentação precisa ser o mais natural possível, com ingredientes locais. Se for depender dos industrializados veganos, vai sair muito caro.

S: E comer saudável no Brasil, é caro?

J: Não. O problema é que um pacote de miojo custa menos que um prato de feijão. Então muita gente simples, nas periferias e no interior do Brasil, está substituindo a base da nossa alimentação pelos industrializados. Isso é muito grave. E é uma luta que todos nós, vegetarianos, veganos e onívoros precisamos abraçar juntos.

A gente precisa defender a agricultura familiar, pois são esses pequenos produtores que cultivam alimentos saudáveis pro nosso corpo, pros trabalhadores, para o meu ambiente. Mas eles não ganham nenhum tipo de incentivo dos governos, muito pelo contrário, enquanto os grandes latifúndios elegem representantes no Congresso.

A nossa base alimentar, feijão, arroz, farinha de mandioca, frutas e verduras, é muito barata, mas poderia ser ainda mais. E poderia estar ao alcance de todos. É revoltante ver a quantidade de bairros e localidades que não têm nenhuma feira ou hortifrúti por perto. Mas os revendedores da Nestlé com saquinhos de leite em pó, misturado com um monte de coisa pra ficar mais barato, chega nesses lugares.

S: Comida saudável e comida vegana são sinônimos?

J: Não. Conheço muita gente que larga a carne, passa a se entupir de batata frita, fica doente e acaba voltando à vida de picanha. Veganismo não significa comida saudável. Mas o contrário sim. Depois de muita pesquisa, cheguei à conclusão de que uma alimentação precisa seguir 4 quesitos para ser considerada saudável.

O primeiro critério é ser o mais natural possível, sem excessos de óleos, gorduras e açúcar. O segundo, é que essa comida precisa ser saudável também pro meu ambiente. Não faz sentido se gerar muito lixo, precisar de muita água pra ser preparada, causar um grande desequilíbrio na natureza. Esse é o principal ponto que faz os ingredientes de origem animal serem excluídos. Comida sustentável, em grande escala, só é possível se for vegana. 

Outra questão é a saúde dos trabalhadores. Os abatedouros de frangos e porcos são denunciados, há anos, por submeter seus profissionais a condições de trabalho análogas à escravidão. Essas empresas estão cheias de haitianos, que foram trazidos do Acre para trabalhar na indústria da carne, justamente porque os brasileiros não aguentam mais.

E, por último, a comida precisa ser saudável pro nosso bolso. Não pode ser exclusividade de um pequeno grupo de pessoas. Ela tem que ser acessível, fácil de encontrar, barata. Ou não faz sentido. E a comida vegana é tudo isso.

S: Quais são as dicas fundamentais pra se alimentar bem sem gastar muito?

J: É preciso planejar as compras. Esse é o principal. Eleja uma feira para chamar de sua, uma loja de produtos naturais (tem várias na internet, inclusive) e compre óleos e azeite nos supermercados atacadistas.

Uma prateleira com temperos é fundamental pra comida não ter gosto de hospital. Açafrão, orégano, pimentas, cominho em pó, louro, páprica, são super baratos e combinam com quase todos os vegetais. Quem tiver uma janela que bate sol ou um jardim em casa, pode plantar vasos com ervas, como cebolinha, salsinha, manjericão, hortelã. Já é um gasto a menos e muito mais sabor na comida.

Aí é só adaptar os ingredientes preferidos de cada um e a forma de preparo que mais combina com o seu dia a dia. Na dúvida, vá no básico. Refogados com alho e cebola, arroz com legumes, feijões e lentilhas cozidos com louro, pães integrais caseiros, panqueca de aveia. De lanche, o amendoim torrado, sem conservantes, é uma ótima opção barata e saudável que pode ser levada na bolsa e suporta bem qualquer temperatura. No blog tem várias dicas mais específicas.

S: Conta alguma coisa (qualquer coisa) importante que você descobriu a respeito da alimentação saudável depois de ter começado o blog.

J: Nossa! Muita coisa. O que mais tenho descoberto é que a importância de se ter uma relação saudável com o ato de comer e que precisamos sair da mesa sem culpa.

Por muitos anos eu mesma só pensava em nutrientes. Sempre fui a louca das dietas e vivia demonizando os carboidratos, preocupada demais com a proteína, percentual de zinco. Não conseguia olhar para um prato e enxergar apenas comida.

Desde que comecei o blog, tenho pesquisado mais sobre o que está por trás de cada ingrediente, a lógica de cada receita tradicional. A mandioca, por exemplo, é muito mais do que uma ótima fonte de carboidrato e energia. Ela é o nosso ingrediente mais democrático, mais versátil. Ela é consumida o ano todo do Norte ao Sul do Brasil. Aqui em Floripa as pessoas misturavam café passado com farinha de mandioca e comiam isso de manhã quando não tinham dinheiro pra comprar pão. É importante voltarmos a enxergar a comida como cultura, como parte da nossa história.

S: Na sua opinião, por que as pessoas não comem de maneira saudável?

J: Comer bem e cozinhar são sinônimos. É impossível ser saudável se alimentando em buffets a quilo, delivery e com pacotes de coisas. Mas o nosso estilo de vida caótico tirou as pessoas da cozinha. E os industrializados, de alguma forma, libertaram muitas mulheres que eram escravas do fogão.

Imagine uma senhora que trabalhou 8h, depois passou 4h do dia dela no transporte público. Como vou dizer pra ela chegar em casa e preparar uma torta de legumes, coisa que demora uns 40 minutos, se ela pode jogar um miojo na água e comer em menos de 5 minutos? Muita coisa precisa mudar no nosso estilo de vida. Os homens precisam dividir as tarefas domésticas, repartir a responsabilidade das compras, do preparo das receitas e da limpeza da casa.

Outro ponto que justifica o quanto comemos mal é a falta de informação sobre a indústria da carne, laticínios e os industrializados no geral. Quanta gente compra um pacote de biscoito sem glúten achando que é a coisa mais saudável do mundo? O poder da indústria é muito grande. As grandes marcas de laticínios patrocinam congressos de Nutrição e Pediatria. Isso faz com que haja pouca informação científica sobre os malefícios do leite de vaca.

E tem as questões culturais, né? No interior, principalmente, o consumo de carne vermelha é associado à virilidade, força. Homem que viver a base de berinjela vai ser muito zoado. É difícil. E, é claro, também tem muita gente que precisa deixar a preguiça de lado e sair da sua zona de conforto. Mas eu sou super otimista e acho que estamos avançando muito.

S: Quando exatamente o blog teve início?

J: Quando minha renda era maior e eu trabalhava com carteira assinada, até torrava uma parte do meu dinheiro com óleo de coco e castanhas. Mas fiquei desempregada em 2016 e hoje trabalho como autônoma, freelance. Com isso, precisei cortar radicalmente meus gastos. Saíram as amêndoas e ficaram só o amendoim e a semente de girassol na minha lista de compras.

E, de qualquer forma, a questão social sempre foi muito importante pra mim. Eu questiono muito os meus privilégios como mulher branca de classe média. Soube de um evento que estavam organizando em Floripa para o Dia Internacional da Mulher em março de 2017. A ideia era oferecer serviços para mulheres de uma favela da cidade, como massagens, aula de dança, corte de cabelo. Eu queria oferecer alguma coisa, mas não sei fazer muita coisa. Resolvi me inscrever oferecendo uma oficina de comida vegetariana saudável só com receitas que custassem até R$ 5. E foi um enorme sucesso. Todo mundo cozinhou comigo, as senhoras ficaram empolgadíssimas ao provar tofu pela primeira vez, hambúrguer de berinjela, brigadeiro de aveia, guacamole. E elas pediram muito para que eu criasse um blog com mais receitas desse tipo, porque nunca tinha ouvido falar em algo parecido.

Mas eu sou completamente amadora. Preciso testar, ler bastante, tirar dúvidas com a minha mãe. Cozinhar não é algo super natural pra mim tô indo bem aos poucos.

S: Como é ser repórter de gastronomia sendo vegetariana quase vegana?

J: É estranho pras pessoas e pra mim. Escrevo sobre cortes de carnes nobres, peixes da estação, doces franceses cheios de manteiga. Faço muita matéria pelo telefone, mas algumas exigem que vá até um restaurante, bar ou confeitaria E, em geral, os entrevistados oferecem suas iguarias para eu provar.

No começo, eu já avisava logo de cara que era vegetariana, mas ouvi demais que não podia seguir nesse trabalho tendo essa restrição. Então eu alterno. Às vezes digo que é uma questão religiosa ou alergia (risos). E esses dois quesitos ninguém questiona. O problema é que quero largar os laticínios, mas é o que sobra pra comer nessas entrevistas.

Quando recuso a picanha ou o camarão, os chefs trazem pratos elaboradíssimos a base de queijo e creme de leite e eu acabo comendo por educação. A parte boa é que aprendo muito e vou tentando adaptar na minha cozinha. O que eles contam que fazem com carne seca, eu tento replicar em casa com abobrinha (risos).

S: E quais são os projetos para o futuro?

J: Quero tornar o Comida Saudável pra Todos um projeto, mas vou fazer cada coisa de uma vez, sem afobamento. Quero começar a dar workshops ainda em 2018 sobre como cozinhar sem receitas, da forma mais simples, barata, prática e saudável possível. A ideia é incentivar as pessoas a criar pratos próprios, que façam sentido no seu dia a dia. Pensar em como organizar a compra de itens básicos, entender a função de cada ingrediente numa receita.

Também penso em fazer parcerias com instituições, escolas e associações de moradores e desafiar chefs locais a prepararam pratos acessíveis, com o uso integral dos alimentos. Escrever um livro também está nos meus planos. Mas ainda não tem nada certo. A repercussão do blog está mais rápida do que eu imaginava. Teve um dia que contei 213 mensagens no Instagram pra responder. Fiquei super assustada. Então a ideia é ir com bastante calma pra fazer bem feito.

 

20 coisas para saber sobre as vacas

Adotar a alimentação vegana ou se manter firme nela, sem nenhuma “escorregada”, pode ser difícil, porque no meio do caminho tem uma pedra chamada laticínios. É o tal do leitinho, do queijo assim ou assado. Queijo é tão bom que a veganada pira naquelas marcas que conseguem imitar com mais ou menos perfeição o sabor e a textura dos queijos animais.

Mas, é aquela coisa, né? Esses produtos são caros e nem é tão bom assim ficar comendo isso todo dia, porque podem ter corantes e outros -antes dos quais o corpo vive muito bem sem, obrigado. O jeito então é renunciar aos laticínios e viver em paz com isso, enquanto encosta a barriga na pia da cozinha para preparar pastinhas caseiras de castanhas que substituem os queijos.

Se essa renúncia é um problema para você, sugiro o consumo de cultura: cinema, documentários e livros. Não necessariamente sobre veganismo, mas sobre a vida como ela é dos animais. Essa semana, por exemplo, terminei de ler o The Secret Life of Cows (A vida secreta das vacas, sem tradução para o português, infelizmente) e foi ótimo para reforçar minha convicção de que o veganismo é o o caminho mais acertado que uma pessoa pode fazer, mesmo com as muitas pedras pela frente.

Escrito por Rosamund Young, que, junto com o irmão Richard, administra a antiga fazenda da família, chamada Kite’s Nest e localizada em North Cotsworlds (Inglaterra), o livro foi publicado pela primeira vez em 2003 e é um relato simples e adorável do dia a dia na fazenda, sempre com foco no comportamento espontâneo dos animais.

Rosamund e o irmão aparentemente não são veganos, mas têm uma relação muito próxima com as vacas, os bezerros, as ovelhas, as galinhas e os porcos que vivem com eles. Tão próxima que o livro traz até uma árvore genealógica das vacas que nasceram e procriaram na Kite’s Nest, com direito a nome e sobrenome. Mais do que literalmente dar nome aos bois, Rosamund aprendeu, após anos de observação e “conversa”, a entender o mundo das vacas. Com essa experiência nas costas, a fazendeira escritora diz com convicção que:

As vacas são indivíduos, assim como são as ovelhas, os porcos e as galinhas, e, ousarei dizer, todas as criaturas do planeta, embora transcuradas, pouco estudadas ou ignoradas. Claro, poucos colocariam essa afirmação em dúvida quando se fala de gatos, cachorros e cavalos. Mas nós, toda vez que tivemos a ocasião de tratar os animais da nossa fazenda como se fossem animais domésticos – porque estavam doentes, sofreram um incidente ou estavam de luto – sempre encontramos na nossa frente grande inteligência, capacidade afetiva e a habilidade de se adaptar a uma mudança de hábitos, se bem momentânea. 

Graças a uma vida passada junto a esses animais incríveis, Rosamund revela 20 características das quais pouca gente tem ideia a respeito das vacas.

1. As vacas se querem bem… pelo menos algumas.
2. As vacas cuidam dos filhos uma das outras.
3. As vacas criam rancor.
4. As vacas inventam jogos.
5. As vacas se ofendem.
6. As vacas sabem se comunicar com as pessoas.
7. As vacas sabem resolver problemas.
8. As vacas têm amizades que duram uma vida.
9. As vacas têm preferências em relação à comida.
10. As vacas podem ser imprevisíveis.
11. As vacas podem ser uma boa companhia.
12. As vacas podem ser chatas.
13. As vacas podem ser inteligentes.
14. As vacas amam a música.
15. As vacas sabem ser gentis.
16. As vacas podem ser agressivas.
17. As vacas sabem como ser confiáveis.
18. As vacas podem ser obstinadas.
19. As vacas sabem ser sábias.
20. As vacas sabem perdoar.

Tomara.

Autobiografia da fotógrafa vegana Rachel Siqueira é uma montanha-russa de emoções

Eu queria escolher um trecho da autobiografia de Rachel Siqueira, o livro Dias sem Noites, para publicar aqui. Mas não consegui escolher só um porque o livro é uma montanha-russa de emoções: numa hora você chora e na página seguinte você ri. Portanto, dependendo do trecho que eu escolhesse, quem ainda não leu o livro teria uma ideia muito limitada do que ele é e da narração de Rachel.

Tão inteligente quanto o tom irônico da narrativa é a estrutura do livro. Capítulos sobre infância, primeira menstruação e encontros insólitos da autora são intercalados com seu relato sobre os 17 dias de sua internação forçada em um hospital psiquiátrico, em Belo Horizonte. Estes marcam o tema central do livro e aí não tem como não chorar.

O leitor sente a angústia de Rachel, que precisava enfrentar a loucura alheia até na hora de comer – só depois de quatro dias internada e de uma conversa com uma nutricionista, que achava que vegetariano comia peixe e ovo fazia bem, foi que Rachel conseguiu receber refeições vegetarianas.

“Naquela noite, pela primeira vez em muitos anos, orei ao me deitar, tentando dormir. Não acredito que uma entidade ouça meus pensamentos, mas precisei tentar. Orei para os dois mais populares, o Deus e o Demônio. Foi mais ou menos assim: ‘ – Sei que nunca acreditei em vocês e sei que se eu morrer não poderei dá-los crédito depois. Mas se algum de vocês dois me ouvir, me mata, por favor'”

Samira: Você começou a escrever os primeiros rascunhos de Dias sem Noites dentro de um hospital psiquiátrico. Onde e quando o livro termina? 

Rachel: Dentro do hospital psiquiátrico comecei a escrever os capítulos sobre a internação involuntária (junho de 2013) pela qual passei. Após muita insistência, sorrateiramente uma enfermeira me deu um lápis e folhas de papel, e assim comecei a registrar o que vinha acontecendo. Ainda que inábil emocional e mentalmente por causa dos psicotrópicos, soube precisamente por onde começar o relato e, curiosamente, o que ali escrevi como pretenso rascunho tornou-se no primeiro capítulo sobre a internação – sem edições significantes.

O livro tem 25 capítulos, oito dos quais abordam a internação. Os demais capítulos já vinham sendo escritos desde o início daquele ano e visavam construir o perfil Borderline pela construção do personagem (eu). São nove os principais traços associados ao Transtorno de Personalidade Borderline e, nos primeiros capítulos, busquei explicitar o estilo da escrita (que tende ao caricato e autodepreciativo) com a qual o leitor se depararia por receio de interpretações literais.

A internação me proporcionou um link entre textos que por um desavisado passariam por desconexos. Foram os piores 17 dias da minha vida e me alteraram significantemente; mas foquemos no Namastê – uma linda flor saiu do podre lodo.

Samira: Como foi escrever alguns dos momentos mais difíceis da sua história de vida? 

Rachel: Foi e continua sendo horrível lidar com o tema. Dia desses tentei lê-lo e, como já havia acontecido anteriormente, não consigo ler os capítulos “sérios” (sobre a internação) – que, por sinal, sofreram insuficiente edição, tamanho era meu desgosto de com a memória e seu registro lidar.

É RIR PRA NÃO CHORAR

Se nos capítulos sobre a internação o coração do leitor chega a doer, em outras passagens é a barriga que dói de tanto rir. Como no capítulo em que Rachel conta sobre o encontro amoroso com o carinha que ela chama de “frouxo”.

(…)  após ouvir de algumas amigas que eu precisava deixar de ser “tão exigente”, dei mole prum frouxo; mas nada que faço é moderado, jamais consigo comer só um pouco de berinjela e não me conformaria com baixar meus standards de leve. 

Não poderia ser um frouxo qualquer, tinha que ser uma catástrofe ambulante. Que sorte a minha, precisamente o que estava à minha frente! O cara nem era somente frouxo, ele defendia o voto compulsório, decorou um monte de nomes e datas irrelevantes e era, em suas palavras, “- Um idealista”. 

Lembrei de pizza. Eu adoro pizza de berinjela, cogumelo e pimentão, tudo junto. “…Hei de gostar também desse amontoado de porcaria em forma humana!”,- me propus.

E foi assim, nessa vibe demente/altruísta que, quando me dei conta, um frouxo estava chupando minha boca. Não era beijo, era majoritariamente sucção; forte e determinada sucção. Com sua boca ele freava qualquer possível passagem de ar para a minha, assim me obrigando a respirar seu hálito de marzipã. 

Há muitos anos eu não comia marzipã, uns 20, pelo menos. Pra ser honesta, não sentia a menor saudade daquilo. Movia a cabeça um pouco e ele me acompanhava, certificando-se de que eu não correria o risco de respirar ar fresco. Por vezes o louco lambia minha língua.

Num break perguntei:

“- Você comeu marzipã, né?”

“- Não, por que?”

“- Nada. Algum doce aí que você comeu. Me lembrou marzipã.”

“- O que é marzipã?”

“- Ah, um doce aí. Bonitinho, coloridinho e tal, mas o gosto é ruim.”

Dando-me conta do fora dado, já fui remendando:

“- Mas o gosto da sua boca não é ruim, não.”
“- Lembra marzipã por causa da essência, acho.”
“- Um gostinho de essência que tem lá.”
“- Mas o que é ruim no marzipã não é a essência.”
“- Deve ser o gosto do corante, sei lá.”
“- Não sei direito.”
“- Mas sua boca tem esse gosto não.”
“- Sua boca é uma delícia.”

E assim, só porque menti, o frouxo se apaixonou. Voltou a chupar minha boca e, dessa vez, intercalava sucção com a introdução de sua língua, que polia todo o meu palato, gengiva e língua. 

Frouxo decidiu colocar em prática o que decerto aprendera em algum manual de “Como excitar mulheres”, me apertou contra seu corpo igualmente frouxo e começou a arranhar minha nuca. Com voz safada decretou:

“- Gostosa”

Eita.

Fiquei sem graça com aquilo, mas me lembrei que precisava ser menos exigente. Completamente menos. Fingi não ter ouvido seu decreto, o que provavelmente foi péssima ideia e o tenha motivado a reiterar:

“- Gostooosa.” – dessa vez articulado mais lenta e suavemente, em tom de confissão.

Achei por bem demonstrar tê-lo ouvido, assim evitando que se sentisse obrigado a bradar pela terceira vez sua observação. Pensei em dizer “Brigada”, mas soaria tão frio, e se tem uma coisa que eu não sou é fria. Disse:

“- Gostoso é você!” 

Samira: Em muitas passagens trágicas, você consegue ser cômica e deixa o leitor, como eu, desconcertado. Sem saber direito se pode rir ou não (eu quase morri de rir no relato sobre “frouxo”, me desculpe). Por que escreveu dessa maneira? 

Rachel: Como diria Sweet Brown, “Ain’t nobody got time for that!”. Ninguém aguenta ler um monte de desgraça em sequência, penso que ao misturar tragédia com humor a leitura seja mais facilmente digerível.

Samira: Está escrevendo algo novo? Para quando? 

Rachel: Comecei um novo livro, mas por enquanto só tenho trechos soltos do que quero contar (ficção). Se depender da Samira Menezes – escritora virginiana, estruturada e toda executora – termino ano que vem. Todo mundo precisa de um melhor amigo virginiano… 2018 é o plano!

Serviço
Livro Dias sem Noites, de Rachel Siqueira
Páginas: 160
Preço: R$ 25
Vendas direto com a autora pelo e-mail chel@chelreis.com

 

 

 

Se você defende bicho e come quinoa, cuidado com onívoros inseguros

Onívoros inseguros, aqueles que partem para o ataque quando encontram um vegetariano, sempre me surpreendem. Quando percebem que não têm mais argumentos para justificar suas carninhas, começam a subir pelas paredes na tentativa desesperada de achar uma razão e se agarrar a ela.

Semana passada, vi diversos conhecidos italianos do Facebook compartilharem um artigo que questionava a ética dos veganos. O artigo dizia que os veganos não podem falar de ética porque comem quinoa.

Base da alimentação de indígenas bolivianos há muito tempo, esse pseudocereal passou a custar o olho da cara depois que o mercado descobriu que muita gente adepta da alimentação saudável estava disposta a pagar caro por ele. Isso fez com que o preço da quinoa subisse na Bolívia, impedindo que os índios e a população mais desfavorecida do país continuassem a ter acesso ao alimento.

Concordo que aí mora uma daquelas sacanagens capitalistas. Mas, questionar a ética dos veganos por causa da maneira calculista como o mercado funciona me parece coisa de gente patética que precisa subir em parede. Dizer que vegano não é ético porque come quinoa segue a mesma linha ilógica da famosa pergunta que todo vegetariano ouviu ou vai ouvir alguma vez na vida: “por que você se preocupa com animais, se tem tanta criança passando necessidade no mundo?”.

Sim, o mundo é injusto, amiguinho. Populações indígenas foram e continuam sendo massacradas por interesses que vão muito além do preço da quinoa. Crianças em diversas partes do mundo continuam morrendo de fome enquanto não faltam táticas para arquitetar guerras. Pretos continuam sendo discriminados pela cor da pele. Pobres e suas necessidades básicas continuam esquecidos por governantes corruptos. Mulheres continuam sendo assediadas, violentadas e assassinadas simplesmente por serem mulheres. Estrangeiros continuam sendo escravizados em plantações de tomate italiano ou então na confecção de roupas para grandes redes de marcas de moda. E por aí vai. A lista de problemas por onde a ética não chega perto é tão longa que não falta causa para quem quer lutar por uma realidade melhor e mais justa.

Os sindicalistas optaram por defender os trabalhadores. As feministas, as mulheres. Os ecologistas, a Terra. Os pacifistas, a paz no mundo. Os veganos optaram por defender os animais, que não têm voz nem direitos e são exaustivamente explorados por questões culturais. O fato de uma pessoa defender uma ou outra causa, na mesa ou no meio da praça, não a impede de falar sobre ética porque, como espécie, é evidente que não somos perfeitos. Vai da consciência e da disposição de cada um fazer ou não alguma coisa na qual acredita.

Se você optou pela neutralidade em relação a tudo, está no seu direito também. Só não venha apontar o dedo para o meu tofu. O mesmo recado vale para os veganos que se sentem superiores aos onívoros por serem veganos. Se sou impecável? É claro que não. Se como quinoa? Uma vez ou outra, sim. Se sinto que estou fazendo uma coisa justa ao optar por não comer carnes e afins? Absolutamente.