Um batom vegano para alegrar minha cor pastel

É horrível admitir isso, mas ultimamente a cor do meu rosto está parecida com a de pastel cru. Não ria de mim. Depois de três meses sem ver o sol de verdade, aquele que bronzeia e faz a gente suar, estou tão pálida que precisei tomar uma atitude drástica: comprei um batom vermelho – fenômeno a ser fotografado, porque tenho aversão à maquiagem. Até hoje, por exemplo, não aprendi a manter o rímel intacto. Sempre acabo esfregando o dedo no olho em algum momento, deixando tudo meio borrado. Homens desinformados: rímel é aquele negócio preto que se passa nos cílios para que eles fiquem mais espessos, longos e duros.

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Juro que tentei não mexer muito no meu rosto nas poucas vezes em que me maquiei. Mas perdi totalmente o pouco interesse que tinha pelo assunto quando soube, anos atrás, que por trás dessa indústria da beleza existe uma fábrica de horrores: vários animais são usados para testar as possíveis reações alérgicas e o nível de toxidade desses produtos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dá as diretrizes para as empresas de cosméticos, diz que qualquer animal pode servir à experimentação, mas os modelos mais utilizados para testes de cosméticos são aqueles com maior sensibilidade, facilidade de manejo e similaridade anatômica, fisiológica ou metabólica com o homem. Normalmente, coelhos, hamsters e macacos. “Na área cosmética, os animais podem ser utilizados para avaliar todos os riscos potenciais envolvidos, seja irritação, alergia ou efeitos sistêmicos a curto e longo prazo. (…) O uso de anestésicos nem sempre é recomendado, pois pode interferir com a resposta animal”, notifica a Agência no seu Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos.

Se essa prática fosse realmente necessária como a Anvisa diz, como ela me explicaria que na Europa os testes em animais estão proibidos para cosméticos desde março de 2013 e que diversas empresas no Brasil conseguem fazer cosméticos excelentes, inclusive menos agressivos à saúde, sem precisar testar em bicho nenhum? A única resposta oficial é essa aqui: “ainda não é possível abandonar a utilização de animais na avaliação da segurança de produtos, por falta de métodos alternativos validados”.

Sinceramente, eu detesto esse papo de que os testes em animais são necessários para garantir mais segurança ao consumidor. Evolua, ciência. A tecnologia está aí pra isso. Como consumidora, prefiro pagar por um produto que não tenha sido feito a base de exploração – seja animal ou humana. Por isso, mesmo que em teoria os testes em animais sejam proibidos aqui na Europa, na hora de comprar meu batom vermelho fui atrás de um que tivesse selo vegano – ele me garante que não foram realizados testes em animais para que o produto chegasse até mim e que só existem ingredientes de origem vegetal na composição.

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O batom nº 5 da Lavera, que encontrei no supermercado por 12 Euros, tinha esse selo – dado pela Vegan Society, do Reino Unido – e ainda o de certificação orgânica que me garante a ausência de substâncias sintéticas. O resultado final foi uma Samira menos pastel e mais feliz por não ter contribuído para o sofrimento animal. No site da Lavera descobri também uma lista de mais de 100 cosméticos veganos (clique aqui para ver a lista completa),como creme anti-envelhecimento (você acredita mesmo nisso?), shampoo (para adultos e bebês), hidratantes, blush, rímel, lápis para olho, base… Dependendo do meu nível de palidez no fim desse inverno, talvez eu apele para eles também. Por enquanto, está bom demais assim.

Para quem quiser saber mais sobre esse tema, nos links abaixo você encontra dicas de cosméticos veganos no Brasil e outras informações. Até mais e um beijo colorido.

Blog e loja virtual Beleza orgânica: www.belezaorganica.com 

Blog Escolha Vegan Cosméticos: www.escolhavegancosmeticos.wordpress.com

EWG Skin Deep: nesse site aqui www.ewg.org dá pra conferir o nível de toxicidade de ingredientes utilizados na formulação dos cosméticos.

Animal-Free: com esse aplicativo (em inglês) dá pra saber se um ingrediente de nome estranho é de origem animal ou não. Para iPhone, iPad, e iPod touch.

Humane Society International: faz campanhas em todo o mundo para acabar com os testes em animais. Na última delas, a modelo Fernanda Tavares foi a garota-propaganda. www.hsi.org/portuguese

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A história dos cosméticos: se você não dá a mínima para os animais, mas se preocupa com sua saúde e a da sua família (inclusive a do seu bebê), esse vídeo de oito minutos é muito informativo. Vale a pena dar uma olhada.

Adendo 1: No dia 23 de janeiro de 2014, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, sancionou a lei que proíbe testes em animais para cosméticos.

Adendo 2: Minha palidez não é exagero da minha parte. Um exame de sangue identificou inclusive deficiência de vitamina D, a vitamina produzida pela exposição solar. Tratamento à deficiência: dois meses de suplementação.

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