Delicioso suco cura ressaca

Já aconteceu várias vezes de eu ir a encontro entre amigos e ter nada ou muito pouco para comer. No último deles (aniversário de uma amiga do marido), me restaram a salada de alface, algumas frutas e vinhos. Como alface não combina com conversa de festa (quem é que quer o alfação verde lá no meio do dente, né?), ignorei meu fígado e bebi mais do que comi. O resultado no dia seguinte não poderia ter sido outro: ressaca.

Depois de passar metade do dia sofrendo com o mal-estar generalizado, decidi aceitar a revolta do meu fígado e fiz aquilo que aconselho sempre, ou seja, sentir o que o corpo está pedindo. A tentativa atrapalhada de criar um diálogo com meu fígado deu certo e a resposta veio em poucos minutos: suco natural de maçã (imaginei que aquele fosse o pedido dele porque me bateu uma vontade enorme do sabor da maçã).

Te juro que me senti outra depois daquela bebida, que incrementei com folhas de hortelã e suco de limão. A partir de então, o suco cura ressaca virou rotina aqui em casa. Não porque costumamos nos embebedar (já se passaram mais de seis meses desde aquela festa), mas sim porque, além de curativo, esse suco é delicioso. Bem ao contrário daqueles chás amargos que a sabedoria popular propõe pra cuidar do fígado, como o chá de boldo.

Como amo investigar a interação da comida com o corpo, pesquisei sobre os benefícios da maçã, do limão e do hortelã, e descobri o que meu fígado aparentemente já sabia: estes três ingredientes descongestionam esse órgão, aliviam infecções e alcalinizam o sangue. Moral da história? Nunca desdenhe do alface.

suco cura ressaca

Ingredientes
2 maçãs vermelhas e maduras, de preferência orgânicas
Suco de ½ limão taiti pequeno ou de 1 limão siciliano grande
10 ou mais folhas frescas de hortelã

Preparo: Lave e pique as maçãs (retire o miolo e deixe a casca), coloque-as no liquidificador junto com o suco do limão e as folhas de hortelã e cubra com água mineral. Bata por cinco minutos, coe e beba em seguida. Se quiser potencializar a ação desintoxicante deste suco, antes de bater, adicione lascas de gengibre a gosto.

Rende: 4 copos

Cubra tudo com água mineral
bata e coa
Bata, coe e beba em seguida

O que fazer com banana madura

Se não sabe o que fazer com aquela banana que amadureceu demais, a solução pode estar no congelador, no forno, no fogão ou em um simples garfo. Jamais no lixo.

Solução 1: Congelador. É lá que você vai transformar banana madura em sorvete. Pique-a, congele-a e, depois de congelada, bata-a no liquidificador com frutas vermelhas, cacau em pó ou nenhum outro ingrediente. Independentemente da combinação, quatro colheres de sopa de leite vegetal podem ser necessárias para facilitar o processamento da banana congelada. Alguns posts passados a bati com cacau, mas hoje preferi as frutas vermelhas e um pouco de agave. Usei o agave porque as frutas vermelhas estavam muito azedas, mas você pode usar outro tipo de adoçante, como melado, ou nenhum.

Solução 2: Liquidificador. Por estar bem doce, a banana é ótima para fazer bebidas, como os famosos smoothie (palavra fina pra dizer “vitamina”). Combine a banana in natura com outras frutas, como mamão, e leite vegetal. Se você quer uma bebida gelada, mas não um sorvete, siga o modo de preparo da receita anterior, mas coloque mais leite: um ou dois copos de leite vegetal, em vez de apenas quatro colheres. Bata tudo e beba em seguida.

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Vitamina de banana madura, frutas vermelhas e leite de aveia

Solução 3: Forno. Banana madura é ótima pra fazer cupcake (palavra bonita pra dizer “bolo”). Bolo/cupcake de banana com canela é bom demais.

Solução 4: Fogão. Eram só as bananas começarem a passar um pouco do ponto que minha mãe, esperta que só ela, preparava uma sobremesa que fazia eu e minhas irmãs, todo mundo ainda criança, cairmos matando em cima das bananas até então desdenhadas. A receita é simples e não tem nome mais óbvio do que “bananas cozidas no suco de laranja”. Leve as bananas maduras para uma frigideira e cubra-as com suco de laranja. Ligue o fogo baixo e deixe o suco cozinhar as bananas. Coisa rápida de uns 7-10 minutos. Depois, é só colocá-las em uma travessa ou em um prato fundo, junto com o suco, e salpicar com canela.

Solução 5: Garfo. Amasse-a e coma com aveia. Um clássico!

Solução 6: Garfo de novo. Em vez de comer a banana amassada com aveia, amasse-a e use-a para substituir o ovo em receitas de bolos. Não, não é bolo de banana. Algumas boleiras veganas já me contaram que ½ banana amassada (batida com uma quantidade de gordura maior do que a indicada na receita convencional) dá o mesmo resultado emulsificante de 1 ovo.

Um brinde ao bumbum sem celulite

Admito: tenho celulite e reclamo dela toda vez que a vejo no espelho. Pior, no meu bumbum. Sei que esse negócio de reclamar da celulite é uma futilidade sem tamanho, porque toda mulher tem (até as modelos mais badaladas, como a Kate Moss), mas definitivamente não vou com a cara dela (da celulite). Sei também que ginástica e mais ginástica ajudaria a diminui-la. Mas cadê o tempo sobrando? E o que dizer da preguiça que não larga do meu pé?

Ainda bem que a celulite também pode ser prevenida com comida do bem, como a semente de linhaça. Rica em fibras, o que ajuda a colocar o intestino para funcionar e, consequentemente, a eliminar toxinas, a linhaça também contém bastante ômega-3: aquela gordura boa que a gente precisa consumir (porque o corpo não produz), que faz um bem danado para o coração e que reduz as inflamações. Olha lá, celulite = inflamação do tecido celular.

Então, quando me lembro, costumo tomar um shake bem gostoso pra aplacar a fome do meio da tarde e que também ajuda a combater a danada. Já falei sobre ele nesse post aqui, mas como por essas bandas de cá já estamos na primavera – época do morango, da alcachofra e do aspargo –, inclui uns morangos pra dar um sabor mais gostoso e uma cor mais bonita ao meu shake anti-celulite. A receita é simples: bata no liquidificador um copo de leite de aveia com uma banana, seis morangos, canela a gosto e uma colher de sopa de semente de linhaça. E beba na sequência.

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Batizei o shake de anti-celulite porque todos os ingredientes da receita são bons contra esse tipo de inflamação: a banana, por exemplo, estimula a drenagem linfática, por ser rica em potássio; as frutas vermelhas, como o morango, fortalecem os vasos sanguíneos; a aveia é rica em silício, que reorganiza as fibras de sustentação da pele e previne a formação dos furinhos; e a canela, assim como a linhaça, combate as inflamações. Outras dicas que a nutróloga Liliane Oppermann me deu para quem quiser tentar diminuir esse problema tão feminino são:

Invista no ferro
Além de anemia, a carência desse mineral favorece o surgimento da celulite. Por isso, consuma verduras e hortaliças verde-escuras, como rúcula, brócolis, agrião e couve, junto com uma fonte de vitamina C, como as frutas cítricas, para potencializar a absorção do ferro presente nos vegetais. Sim, os vegetais têm ferro! Além disso, as folhas verde-escuras são fontes de clorofila, que melhora a circulação e desintoxica o organismo.

Beba água
Beber água também ajuda a eliminar toxinas, assim como o chá verde e a sálvia. Outras ervas medicinais que ajudam a eliminar a celulite são o hortelã e o espinho branco.Mas não é para se entupir de chá verde na esperança de ter um bumbum do tipo photoshopado, é só pra inclui-lo moderadamente na sua alimentação.

Consuma pouco sal
Reduza o consumo de sódio, que não está presente apenas no sal de mesa, mas também em produtos embutidos e pré-cozidos. Em vez de sal refinado, que favorece a retenção de líquidos, use o sal grosso, que contém dezenas de minerais e proporciona mais sabor em menor quantidade.

Troque o arroz branco pelo integral
O arroz integral contém fibras, vitaminas do complexo B e minerais (magnésio e cromo), favorecendo a digestão do açúcar e o funcionamento do intestino, que elimina toxinas.

Consuma azeite de oliva extra-virgem e castanha-do-Brasil
O azeite extra-virgem tem ação anti-inflamatória, ou seja, combate os edemas acarretados pela celulite. Já a castanha carrega selênio, um importante antioxidante contra o envelhecimento das células.

Uma receita de amor e 10 de sucos

Adoro histórias de amor. Uma delas é a da minha irmã, Bia, com o meu cunhado, Juan. Uruguaio, ele foi com a família para Anápolis (Goiás) quando tinha três anos. Paulistana, quase sempre ela trabalhou na parte financeira de lojas – acho que nunca imaginou que essa experiência, aparentemente quebra-galho, serviria para o negócio próprio no futuro. Depois de perder um amigo muito querido, aos 24 Juan foi para São Paulo e arranjou um trabalho como garçom no restaurante Goa Vegetariano, sem nunca deixar de lado sua paixão pelo skate. Depois de passar por vários empregos, Bia também foi trabalhar no Goa naquele período. Vegetarianos, os dois se apaixonaram e resolveram ir juntos para Anápolis.

Bia, Juan e meu sobrinho João Pedro
Bia, Juan e meu sobrinho João Pedro

Como dizem que a união faz a força, do casamento dos dois nasceram a loja Roots Skate Shop, criada em 2010 em parceria com o skatista Vitor Sagaz, e, em 2011, o lindo João Pedro. Vegetariano desde a barriga da Bia, João é cheio de energia e entre seus “pratos” preferidos estão os sucos de fruta natural. Por isso, quando ele deixou de ser bebê e passou a comer como criança, minha irmã criou um cardápio de sucos bem interessante para ele, com combinações de frutas pouco ou muito convencionais.

Vi as receitas criadas por ela e resolvi fazer 10 de uma só vez, para postar aqui no blog e para matar a sede que eu estava das frutas brasileiras. Com a excelente ajuda dela, nós duas preparamos essas 10 delícias durante o fim de semana que passei com eles. As duas melhores, na minha opinião, são de maracujá com banana e de melancia com limão. Simplesmente deliciosas! Pra revigorar ainda mais, minha visita incluiu uma manhã numa das tantas cachoeiras que pipocam nas redondezas de Anápolis.   

Da esquerda para a direita: melancia com limão, manga com laranja, mamão com laranja e cenoura, maracujá com banana e laranja com beterraba.
Da esquerda para a direita: melancia com limão, manga com laranja, mamão com laranja e cenoura, maracujá com banana e, por último, laranja com beterraba

Manga com laranja
1 manga média
6 laranjas
Esprema as laranjas, descasque e pique a manga e bata tudo no liquidificador. Beba sem coar nem adoçar.

Melancia com limão
¼ de melancia
2 limões
Esprema os limões, corte a melancia em pedaços e retire as sementes. Bata tudo no liquidificador.

Mamão com laranja e cenoura
3 laranjas
½ mamão papaia
½ cenoura
Esprema as laranjas, retire as sementes do mamão, descasque e pique a cenoura e bata tudo no liquidificador.

Maracujá com banana
2-3 maracujás
1 banana
Água a gosto
Bata tudo no liquidificador e beba em seguida. Não é necessário colocar açúcar porque a banana já é doce o suficiente.

Laranja com beterraba
½ beterraba descascada
4 laranjas
Bata tudo no liquidificador e beba em seguida.

Da esquerda para a direita: abacaxi com manga, couve com laranja e limão, cenoura com caju, abacaxi com gengibre e hortelã e laranja com maçã.
Da esquerda para a direita: abacaxi com manga, couve com laranja e limão, cenoura com caju, abacaxi com gengibre e hortelã e, por fim, laranja com maçã

Abacaxi com manga
1 manga média
5- 6 fatias de abacaxi
Bata tudo no liquidificador e beba em seguida. Se quiser menos denso, coloque água.

Couve com laranja e limão (muito rico em ferro)
2 folhas de couve
1 copo de suco de laranja bem madura
½  limão espremido
Bata tudo no liquidificador e beba em seguida.

Cenoura com caju
½ cenoura
1 copo de suco de caju natural
Bata no liquidificador quanto caju achar suficiente junto com a cenoura. Se achar necessário, coe.

Abacaxi com gengibre e hortelã
4 fatias de abacaxi
6 folhas de hortelã
1 pedaço bem pequeno de gengibre fresco descascado
Bata tudo no liquidificador e beba em seguida.

Laranja com maçã
1 copo de suco de laranja
1 maça com casca
Bata tudo no liquidificador e beba em seguida.

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Uma das tantas cachoeiras do nosso lindo Cerrado. Revigorante!

Onde comer vegetariano na Toscana (e a rota do vinho)

A região da Toscana é conhecida por ter uma gastronomia rica em carne. Mas, espera aí, Toscana não deixa de ser Itália, um país muito mais simpático ao vegetarianismo do que o Brasil.

Essa minha opinião só se reforçou com a viagem que fiz para aquelas bandas de lá. Comecei por Florença (Firenze, em italiano), onde descobri que duas especialidades toscanas são autenticamente veganas: pappa al pomodoro e ribollito – ambas feitas com pão amanhecido e muito azeite. Na primeira receita, o tomate é o coadjuvante e, na segunda, quem aparece junto com o pão é o feijão branco. Experimentei só a pappa al pomodoro e, confesso, não gostei. Não sei se foi a trattoria que não preparou muito bem ou se a receita era daquele jeito mesmo, mas achei o gosto muito forte. Na trattoria me garantiram que não tinha carne na receita, mas uma amiga minha desconfia que tinha sim, na forma de caldo de carne. Talvez por isso eu não tenha gostado.

Papa al pomodoro (pão, tomate, azeite e manjericão)
Papa al pomodoro (pão, tomate, azeite e manjericão)

Pra não ter erro, na refeição seguinte entrei na primeira trattoria simpática que achei – a Gusta Osteria – e pedi salada verde com nozes e o clássico spaghetti al sugo, que seria o mesmo que pedir um prato de arroz com feijão no Brasil.

Spaghetti al sugo da Gusta Osteria
Spaghetti al sugo da Gusta Osteria

A sorte foi que resolvi deixar a sobremesa pra depois, porque durante as andanças do dia encontrei uma sorveteria com selo de qualidade vegano. Além do sorvete de soja, a La Bottega del Gelato tinha diversos sabores de frutas. Até de açaí tinha! Matei a vontade e a saudade dessa nossa frutinha tão boa. Mais tarde, também descobri que o restaurante Il Vegetariano oferece menu vegano a preços bem em conta, mas não pude conferir porque estavam fechados para férias.

Picolés de fruta
Picolés de fruta

Entre uma refeição e outra, me emocionei com a beleza da arte florentina e renascentista. Apesar de pequena e meio sem graça, Florença esconde tesouros grandiosos, como a estátua de David, de Michelangelo, que de tão perfeita dá a impressão de que no instante seguinte David piscará o olho e sairá andando pela cidade. Tão impressionante quanto o gigante de pedra e corpo escultural é a beleza da Primavera, personificada no quadro O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli. Quase chorei!

O mais interessante é saber que muitos desses artistas das antigas, como Botticelli, Michelangelo e Bartolomeo Cristofori (o inventor do piano), só existiram e criaram essas maravilhas porque por trás deles tinha uma família muito poderosa que os financiava. Eram os Medici, que colocariam Silvio Berlusconi no chinelo de tão ricos que eram. Antigos donos de Florença, os Medici viviam no Palácio Pitti, que hoje abriga diversos museus e um jardim que mais parece um parque – o lindo Boboli.

Siena e o Chianti

De Florença segui para Siena, onde encontrei um pesto vegano fresquíssimo com castanhas pinoli que abraçava direitinho o delicioso nhoque da Osteria del Gusto.  Ainda em Siena, subi os 450 degraus da Torrel del Mangia e conheci o pici – um tipo de spaghetti bem grosso que pode ser acompanhado de molho de tomate com bastante alho.

Nhoque com pesto
Nhoque com pesto

Se entre os sólidos passei bem, na parte líquida a coisa foi tão boa quanto. Muita gente que vai a Siena não deixa de fazer a rota do Chianti – o vinho clássico toscano. Seguindo o fluxo, foi o que fiz, sem arrependimentos nem moderação. Inclusive me dei de presente uma garrafa do Torricella 2011, da casa Barone Ricasoli. Toscana, io ti amo!

Torricella 2011
Torricella 2011